segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pico Paraná com chuva.

Curitiba - PR 19/10/2009
Na sequência de minha viagem de bike, cujo destino era a cidade de Curitiba, encontrei com o amigo Alexandre Ferreira, o qual já me esperava para, junto com o também amigo e triatleta Felipe Moleta, subirmos o Pico Paraná com seus 1.877,392 metros. Aguardávamos anciosos por uma janela no tempo, visto que ultimamente só tem chovido pela região. O combinado era de iniciarmos a ascenção no dia 18 de outubro, um domingo. Neste dia nós três começamos a subida às 15h00 com tempo bom. Após 3h50' de caminhada, atinjimos o cume. Lá em cima ainda tivemos a sorte de avistarmos alguns outros picos do conjunto da serra do Ibitiraquire acima da camada de nuvens que cobria a maior parte do conjunto.Foi o tempo de montarmos a barraca e uma garoa intensa encobriu o pico. Com a temperatura caindo abaixo dos 10 graus Celcius, fomos "convidados" a nos abrigar na barraca e degustarmos de um ótimo jantar. Depois de uma noite bastante chuvosa, tomamos um café reforçado e nos preparamos para descer. Com 3h de caminhada debaixo de muita chuva, chegamos à Fazenda Pico Paraná. Cansados, com fome e molhados, porém felizes, voltamos comentando como valeu a pena mesmo com o tempo chuvoso.


Até a próxima.
Manzan.
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sábado, 10 de outubro de 2009

Fé em Deus e pé na estrada!

Por ocasião de minhas férias e o término de minha temporada de triathlon, planejei uma viagem de bike saindo da cidade de Piedade - SP, descendo para o litoral sul de São Paulo, contornando a bahia de Paranaguá - PR e subindo a Serra da Graciosa para finalizar a viagem com a ascenção ao Pico do Paraná (ponto culminante do estado), se a chuva permitir!
Sem dúvida alguma, o melhor momento de minhas viagens é a partida, instante em que toda a correria do planejamento se acaba e a execução se inicia. Sinto aquela sensação de incerteza tentar tomar conta. Fato que se explica devido aos tantos imprevistos que podem frustar uma simples empreitada. Desta vez, pela época do ano, sabia que muito provavelmente pegaria chuva. E, portanto, sai preparado psicologicamente para tal fato.
10/10/2009
1º dia: Piedade - São Miguel do Arcanjo - 85 km
Saída às 11h:40 com o tempo encoberto e um friozinho para mostrar como poderá ser toda a viagem! Fiz os primeiros 45 km por estradas de terra e os últimos 40 em asfalto. Terminei com as pernas "queimando". Creio que devido ao acúmulo de provas de que participei nos últimos meses.



11/10/2009
2º dia: São Miguel do Arcanjo - Registro 107 km

O dia amanheceu com sol, contrariando minha expectativa para a viagem, que era de chuva o tempo todo. Sai de São Miguel às 10h50 e logo entendi porque a cidade é a capital da uva itália, vinhedos por todo lado. Ao chegar no Parque Carlos Botelho, local em que a estrada de terra se inicia, achei que iria só descer até Registro. Mas, como sempre, as subidas nunca acabam!!
Neste trecho peguei bastante lama, devido às chuvas que caíram por aqui ultimamente. A bike ficou marrom, assim como a roupa. Como consolo, prefiro pensar que poderia ter sido pior se estivesse chovendo.
Sinto que, com o tempo, tenho ficado mais exigente com meus pertences durante essas viagens, pois ontem acabei comprando um mini desodorante, "futilidade" que nunca havia levado! Fiquei meio arrependido de tê-lo comprado quando peguei as primeiras pirambas do dia e senti a bike mais pesada! Ou sou eu que estou ficando mais fraco?
Amanhã pretendo chegar a Cananéia, ainda em São Paulo, para daqui a dois dias entrar no estado do Paraná.


12/10/2009
3º dia: Registro - Iguape 64 km

Espero ter sido este o dia mais perrengue de toda a viagem. Nunca vi tanta lama e areia atrapalharem a pedalada. Havia sentido um pouco de dor de garganta no dia anterior e, ao acordar, fiquei sem saber se seguiria a viagem ou descansaria mais um dia em Registro para que a garganta melhorasse. Lá por volta do meio dia, levantei da cama e resolvi ir assim mesmo, pois senti que não adiantaria ficar ali.
Saí com uma leve garoa que deixou as estradas de terra bem elameadas. Um percurso relativamente pequeno se tornou uma tortura e a progressão muito lenta. Com o atrito e o peso da lama nas engrenagens da bike, a pedalada se tornou bem cansativa e entediante. Cheguei em Iguape às 16h30 e decedi pernoitar por ali mesmo.
Com isso, meu cronograma se atrasou um pouco e tentarei recuperar nos próximos dias. O percurso deste dia me fez repensar o trajeto original, o qual passaria por uma trilha para cruzar a divisa entre SP e PR. Porém, com a peleja de hoje, não sei se será uma boa opção "carregar a bike" por aproximadamente 30 km de trilhas elameadas.


12/10/2009
4º dia: Iguape - Cananéia 75 km

Após um dia molhado e com bastante lama, tudo que eu queria era pedalar olhando o mar com tranquilidade!... Que nada! Um vento contra e uma areia fofa atrapalharam o pedal durante toda a travessia da Ilha Comprida. Ao chegar na charmosa cidade de Cananéia, estava de saco cheio de pedalar e resolvi pernoitar por lá mesmo, até porque a próxima parada seria à 65 km de estrada de terra, em Ariri, divisa com o Paraná. Resolvi descansar e analisar o restante do percurso.
12/10/2009
5º dia: Cananéia - Barra de Arapirara 80 km

Sai com recorde de atraso, às 14h00. Estava precisando dormir!
Sem saber como era a estrada de terra até Ariri e levando em conta o pouco tempo de que dispunha para completar o trajeto do dia, acelerei o pedal inteiro para não ter que pedalar à noite. A estrada até Ariri era boa e, por conta disso, cheguei nesta cidade às 17h30. Desta maneira, resolvi adiantar um pouco a viagem e dormir na vila da Barra de Arapirara, divisa dos estados de São Paulo e Paraná. Em Ariri tive que pegar uma pequena embarcação para percorrer o trecho do rio Arapirara até a Ilha do Cardoso. Da Ilha até a Barra são 11 km, que, com o vento a favor
bombando, cheguei rapidinho. Na ponta sul da Ilha do Cardoso tive que pegar outra embarcação para cruzar o rio novamente e entrar definitivamente no Paraná!
Desta vez atravessei em uma pequena canoa com receio da dita cuja virar e acabar com a viagem por ali mesmo. Chegando na vila da Barra de Arapirara, hospedei-me na casa do Sr. Rubens, o qual me recebeu como um filho dividindo comigo seu apetitoso jantar.

12/10/2009
6º dia: Barra de Arapirara - Antonina 85 km
Sabia que este seria o dia mais complexo no que se refere à logística, pois teria que cruzar uma barra de rio e a Bahia de Paranaguá. Portanto, sai o mais cedo que pude (às 10h00) para dar tempo de realizar todas as travessias, visto que dependeria de embarcações para tal fato. Já no começo do dia cruzei o rio Arapirara em uma minúscula canoa que, ao final do trajeto, já estava cheia de água.
Em seguida, já pedalando, atravessei toda a Península de Superagui, local em que encontrei um filhote de foca quase morto na praia.
Chegando na vila de Superagui, tratei de descolar meu transporte, visto que não poderia pedalar para atravessar a Bahia de Paranaguá! O que não havia gasto em toda a viagem, tive que gastar com o miserável do barqueiro. Paguei a fortuna de R$110,00 para chegar a Paranaguá. De tão indiguinado não almocei na cidade e segui direto, agora dono do meu nariz em minha bike, para a bela cidade de Morretes. Lá sim, eu almocei, tomei um cafezinho e segui para o destino do dia: Antonina.
Escolhi pernoitar nesta cidade por conta de um livro que li no qual é relatado a história de um navegador americano, Joshua Slocum, que, após perder sua embarcação nas águas da Bahia de Paranaguá e não ter dinheiro para voltar para casa, construiu um pequeno veleiro, chamado Liberdade, para, com sucesso, retornar ao seu lar levando toda a sua família. Cheguei em Antonina às 17h00 e ainda tive tempo para conhecer alguns lugares históricos como o velho porto.
Amanhã pretendo subir a Serra da Graciosa e concluir minha viagem de bike. Espero continuar com sorte e pegar pouca chuva.

16/10/2009

6º dia: Antonina - Curitiba 57 km

Depois de uma bela noite de sono na cidade de Antonina, acordei disposto para meu último dia de viagem. Tinha pela frente a bela subida da serra do mar pela estrada da Graciosa, envolta pela Mata Atlântica. O dia amanheceu chuvoso e assim permaneceu durante minha pedalada. Apesar da chuva, senti pouco frio devido ao esforço constante para subir a serra. Ao acabar o piso de paralelepípedo, optei por trafegar pela antiga estrada da Graciosa, por sinal belíssima. Cheguei ao ponto de encontro com o amigo Alexandre, em um viaduto na BR 116, às 14h00. Feliz, realizado e com um pouco de frio, eu e minha Scott Scale 40 finalizamos mais uma viagem de descobertas por esse mundão.

No momento, estou na casa do Alexandre e aguardamos ansiosos por uma janela no tempo para, juntamente com o triatleta Felipe Moleta, subirmos o Pico Paraná, ponto culminante de toda a região Sul.

Agradeço aos parceiros que viabilizaram esta expedição:

SCOTT bikes

Traveler.com.br

D'stak academia

Cycling bike shop

Ibiti

Obrigado!

Manzan.